Como as flores que inda enfeitam
As manhãs quentes de estio,
E, às vezes, são carregadas
Pelas águas mansas de um rio,
Assim a vejo menina
Tão pequena e tão formosa
Mais pura que o belo lírio,
Mais linda que a bela rosa.
Ainda hoje, se eu pudesse,
Minha doce Gabriela,
A colocava no colo
Perto da minha janela,
Para você contemplar
O mar tranqüilo e sereno,
Receber dos coqueirais
Um ar cheiroso e ameno.
Ver os seus olhos brilhantes,
Cor de mel, a me espiar,
Sua pele sendo tocada
Pelo beijo do luar.
Você catando conchinhas
Por toda praia, na areia,
Mergulhando o seu corpinho
No mar, como uma sereia.
Enquanto isso não acontece,
Minha doce Gabriela,
Continuo aqui, sozinha,
Debruçada na janela.
Pensando em sua imagem
Mimosa e pequenina,
Oh! Que saudades eu sinto
De você, minha menina!
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