Ali, num quarto isolado
De um nobre casarão,
Está guardado um tesouro
Que vale mais do que ouro,
É o preço da estimação.
Nele vive pensativa
Uma formosa mulher
Que está sempre divagando
Horas e horas, pensando
O que verdadeiramente quer.
Pega um pincel, uma tinta,
Dá alguns traços na tela;
Volta ainda a meditar,
Para então iniciar
Sua mais recente aquarela.
Busca motivos no céu,
No mar, nas plantas, no ar,
Que sobre a tela fria
Sem traços, sem luz, vazia
Começam a deslizar.
Com inveja, algum anjo artista,
Quer partilhar da pintura;
E, sem a mulher notar,
Ele conduz devagar
As mãos dessa criatura.
Tintas de cores variadas
Vermelha, verde, amarela
Tocam o pano de leve;
Em breve, sim, muito breve,
Estará pronta a aquarela.
O pano frio se transforma.
Já se tem claro na visão
Casinhas brancas caiadas,
Pássaros, em revoada,
Voando pela amplidão.
No fundo de uma floresta
Escondem-se uns animais;
A artista, então, sorri.
Para, pensa e concentrada
Faz os retoques finais.
Feliz, num salto se levanta,
E baila...e roda...e canta
Seu olhar se reanima.
Pega o quadro. Beija-o, e o abraça
Repete cheia de graça:
- Eis a minha obra prima!!!
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