Olá querida Manoelina,
Minha irmã, comadre, amiga,
Muito mais que minha prima
Hoje estou saudosista
E a minha alma de artista
Me faz lhe escrever em rima.
Começo indo à nossa casa
Pobre, humilde, sem nada,
Mas tão cheia de alegria.
Lá o amor imperava,
A gente ria, brigava,
Era feliz e não sabia.
Eu penso na nossa mãe,
Mulher forte, impulsiva,
Mas sempre tão decidida,
Nosso pai, pai carinhoso,
Com seu jeito amoroso:
Era linda a nossa vida.
Com que saudade me lembro
Do rio, ingás, jangada,
Da nossa roupa lavada
Nas águas claras do rio;
No peito sinto um vazio.
Nossas noites eram festas
Com vizinhos nós fazíamos
Familiares reuniões,
E ali, assentadas nos dormentes,
Nós cantávamos contentes
As mais gostosas canções.
O tempo passou depressa;
Porque o tempo passou,
Nossa vida então mudou.
Cada um foi para um lado;
Mas mesmo assim afastados,
Nosso amor continuou.
Manoelina, esteja certa,
Nada, nada nessa vida,
Vai poder nos separar,
Naquele lar simples, pobre,
Aprendemos a ser nobres
Porque aprendemos a amar.
E o amor, irmã querida,
Com certeza é nessa vida
O maior dos sentimentos.
É certo, que lembraremos
Um do outro, com constância,
Em todos os nossos momentos.
Já são 22 horas.
De você vou despedir-me
Com um beijão caloroso.
Que Deus-Pai lhe abençoe,
Proteja, guarde e ilumine,
Pois só Ele é poderoso.