31 de mai. de 2011

Carta para Manoelina

Olá querida Manoelina,
Minha irmã, comadre, amiga,
Muito mais que minha prima
Hoje estou saudosista
E a minha alma de artista
Me  faz lhe escrever em rima.

Começo indo à nossa casa
Pobre, humilde, sem nada,
Mas tão cheia de alegria.
Lá o amor imperava,
A gente ria, brigava,
Era feliz e não sabia.

Eu penso na nossa mãe,
Mulher forte, impulsiva,
Mas sempre tão decidida,
Nosso pai, pai carinhoso,
Com seu jeito amoroso:
Era linda a nossa vida.

Com que saudade me lembro
Do rio, ingás, jangada,
Da nossa roupa lavada
Nas águas claras do rio;
No peito sinto um vazio.

Nossas noites eram festas
Com vizinhos nós fazíamos
Familiares reuniões,
E ali, assentadas nos dormentes,
Nós cantávamos contentes
As mais gostosas canções.

O tempo passou depressa;
Porque o tempo passou,
Nossa vida então mudou.
Cada um foi para um lado;
Mas mesmo assim afastados,
Nosso amor continuou.

Manoelina, esteja certa,
Nada, nada nessa vida,
Vai poder nos separar,
Naquele lar simples, pobre,
Aprendemos a ser nobres
Porque aprendemos a amar.

E o amor, irmã querida,
Com certeza é nessa vida
O maior dos sentimentos.
É certo, que lembraremos
Um do outro, com constância,
Em todos os nossos momentos.

Já são 22 horas.
De você vou despedir-me
Com um beijão caloroso.
Que Deus-Pai lhe abençoe,
Proteja, guarde e ilumine,
Pois só Ele é poderoso.

Acróstico (Tonico)

Amo-te tanto, tanto quanto quero
Na vida, a melhor das criaturas.
Terei de ti o amor em recompensa
Os carinhos em troca, por ventura,
Nesta vida tão cheia de ilusão?
Iludes-me? Pergunto sem saber.
                  Oh! Como maltratas meu pobre coração.

Muito te quero, muito te venero,
A minha vida a ti já entreguei.
Responde amor, dize-me se és sincero:
Quero-te, adoro-te, só contigo sonhei.
Uma só palavra tua e bastaria;
Então, eu sei que muito sofreria
Somente por amor, por nada mais.

De ti terei consolo nas tristezas,
Os teus olhos dirão tantas certezas
Sabendo eu como as interpretar.

Resistirei a tudo, eu te digo:
Embora eu sofra o maior tormento,
Inda que eu sofra o pior castigo,
Serão só teus os meus pensamentos.

Dia do Índio

Sou o índio brasileiro
Eu sou forte, sou garboso,
Com Pajé me protegendo
Eu me sinto valoroso

Eu sou filho de Tupã
Amo a vida da floresta
Dia 19 de abril
É o meu dia de festa

Fui eu o primeiro homem
Que nesta terra pisou
Também, pelas minhas mãos
A agricultura começou

Plantei milho, mandioca
Antes de Cabral chegar,
Veio o povo português
Quer da nossa terra apossar

Mas estas terras são minhas
Por elas eu vou lutar,
Vou morrer por este chão
Porque aqui é o meu lugar.

Índios – Os primeiros habitantes

Quando Cabral aportou
Em nossa terra gentil,
Os índios já habitavam
Nosso querido Brasil.

Em nossa Minas Gerais
Pra orgulho de todos nós
Existem Machacalis
E também os pataxós.

Saudemos todos os índios
No dezenove de Abril.
Viva o índio mineiro,
Viva o índio do Brasil

30 de mai. de 2011

Prisão Para Um Fantasma

Eu vou mandar construir
Lá no alto da colina,
Uma casa pequenina
Onde não entre ninguém.
Não terá porta ou janela,
De laje e não telhado;
Ali será aprisionado
O fantasma do meu bem.

Eu quero viver a vida,
Brincar pela noite adentro,
Governar meus sentimentos,
Ser dona do meu próprio “eu”.
Coordenar minhas idéias,
Provar para a solidão
Que, aqui, no meu coração,
A vida inda não morreu.

Vou arrancar do meu peito
Toda a dor, tanta saudade,
Viver outra realidade,
Sumir com a tal mulher triste.
E o fantasma fique quieto
Lá na casinha trancado,
Como coisa do passado
Que se foi, não mais existe.

Super-homem Pai

Tivemos uma prole avantajada.
Sonhamos sempre com melhores dias.
Lutamos, doando nossos sonhos vários,
Nossas vidas doamos com alegria.

Eu sempre esperei que tu voltasses
Para trazer ao mundo novo filho;
Com que carinho o colocavas nos teus braços,
Nos teus olhos amendoados, quanto brilho!

Quando saías para trabalhar, amor querido,
Mesmo com os olhos em pranto e o coração partido,
Eu me reanimava porque ias voltar.

Perdida agora nos meus devaneios
Eu choro, sofro, grito, me esperneio.
Estou cansada amor de te esperar.     

Mulher-coragem

Éramos dez irmãos bem diferentes:
Uns satisfeitos, outros descontentes,
Todos porém, amigos solidários.
Como um filme na minha cabeça,
Tudo vai passando, sem que eu me esqueça
Nenhum detalhe de todo o cenário.

Desse filme mãe, és tu a heroína.
Com uma força descomunal, força divina,
Levantavas-te as seis, deitar não sei que hora.
O serviço da casa, o extraordinário,
Para ajudar nosso pai, com pequeno salário,
Tudo isso mãe, eu só entendo agora.

Eu sofro amiga, ao lembrar tua agonia,
Para não faltar o pão de cada dia
Em nossa mesa pobre, porém, farta.
Mãe amada, não vou mais prolongar;
Dos meus olhos lágrimas começam a rolar,
Mas devo te dizer, antes que a dor me parta.

Mãe-coragem, mulher forte e decidida,
O teu exemplo vai ficar por toda a vida
No filme que em minha mente vai passando.
Sabes mãe, não morreste para mim;
Ainda hoje, com uma dor sem fim,
Ouço tua voz rouca me chamando.

Se eu Pudesse

Se com um par de asas eu pudesse voar,
E entre as nuvens todas vasculhar
Com a minha coragem firme e decidida,
Se eu pudesse ir ao fundo do mar,
Galgar montanhas para te encontrar,
Tal eu faria pai, por toda a minha vida.

Se eu pudesse nas matas me adentrar,
Com animais ferozes me enrolar,
Buscando realizar o meu desejo,
Faria sim, o possível e o impossível,
Para matar a saudade terrível
Que me maltrata porque não te vejo.

Nem tantos anos diminuíram a grandeza
Do teu amor por nós. Amor-pureza
Que sempre encheu de paz o meu viver;
Nem todos os anos serão suficientes
Para matar a saudade dolente.
Se te amei demais, como te esquecer?

Me lembro pai, teu jeito engraçado,
Num canto da cozinha agachado,
Prato na mão, distante o teu olhar.
Quando voltavas, à tarde, da caçada
E aparecias na curva da estrada,
Como eu corria para te encontrar.

E aquelas tuas estórias amalucadas,
Que contavas na volta das caçadas,
Fazendo-nos todos rir, rir de verdade.
O fogo aceso para minorar o frio
Que soprava, vindo das águas do rio,
Batata doce assada. Que saudade!

Fico a pensar pai, o teu desvelo
Quando cortavas o nosso cabelo
Pois dinheiro não sobrava para tal;
O 24 de Dezembro, maravilha!
Reunias os ferroviários sem família
Para conosco passarem seu natal.

Pai, que coração generoso foi o teu!
Tanto é verdade que o próprio Deus
Levou-te cedo para as alturas.
Aqui na Terra foi lindo estar contigo!
Foste pai,companheiro, sempre amigo,
Foste, pra mim, a melhor das criaturas.

Reflexões de uma vida

Recostada numa rede
Pendurada na parede
E num grosseiro mourão,
Após a faina diária,
Eu ficava solitária
Ouvindo alguma canção.

Trinados de passarinhos
Que voltavam pros seus ninhos,
Me levavam a cochilar,
Mas a voz da criançada
Que brincava na enxurrada,
Fazia-me despertar.

A chuva de março, fria,
Sobre os telhados batia,
Caindo mansa no chão,
No meu peito, uma saudade
Dos tempos da mocidade.
Oh! Quanta recordação.

Saudades da minha família,
Pais e irmãos, maravilha,
Da casinha onde nasci;
Do Piranga e cachoeiras,
Jangadas de bananeiras
Com as quais me diverti.

Nos matos colhi pitangas,
Ingás, veludos e mangas
E o saboroso coquinho.
Bela árvore copada!
Em sua sombra arredondada,
Protegi o meu corpinho.

Sentados sobre os dormentes,
Eu e amigos contentes
Pelas noites de verão,
Ao doce luar de prata
Fazíamos serenata,
Ao som d’algum violão.

Acho até que vale a pena
Rememorar estas cenas,
Hoje em dia, em minha mente,
Pois percebo que o passado
Dentro em mim ficou guardado.
Bem melhor é o meu presente!

São os filhos que me gritam,
Os netinhos que saltitam
No mais completo alvoroço;
É o marido que me bajula,
O bisnetinho que pula
Grudando-se ao meu pescoço.

Dizem que a velhice é triste;
Mentira! Ela não existe
Para quem sabe viver.
Sinto que a maturidade
Só me traz felicidade,
Tudo me inspira prazer.

As rugas não me amedrontam
Porque tantas coisas contam
No trajeto do caminho;
A família e bons amigos
Caminham sempre comigo,
Cobrindo –me de carinho.

Da idade não tenho medo,
Porque a vida tem segredos
Que devemos cultivar:
Entre eles, com certeza,
O trabalho é uma beleza,
E o outro é saber amar.


Tempos de infância

Minha saudosa cidade,
Hoje voltei pra rever-te.
Meu Deus, que desolação!
O meu peito está doendo,
Lágrimas, os meus olhos vertendo.
Terrível revelação!

A linha férrea, que passava
Bem próxima à minha porta,
Está velha, enferrujada,
Coberta por um matagal,
Que encontrou local propício
Para espalhar sua ramada.

Da minha casa tão pobre,
De pau-a-pique e caiada,
Não vi, sequer um sinal;
Por sua fragilidade,
Foi, com certeza, devorada
Por um forte vendaval.

Piranga, que sofrimento!
Onde estão as tuas águas
Tão puras e cristalinas?
O teu caudal barulhento,
Que até me amedrontava                                 
Quando eu era pequenina?

Aquela pedra redonda,
Na qual eu ficava sozinha
Grande parte do meu dia,
Está rodeada de locas,
Pedras maiores e menores
Lhe fazendo companhia.

Teu areão também existe,
Muito maior do que antes,
Sem vida, risos, sem nada;
As crianças o abandonaram,
Buscam games, internet,
Numa busca exagerada.

O que vai fazer contigo
A criançada de hoje
Meu divertido areão?
Não tens nenhum caça-níquel,
Não tens nenhum DVD,
Vais viver na solidão.

Ninguém mais curte as jangadas,
A água contaminada
Não permite tal proeza.
Acabaram os veludinhos,
Os grãos-de-galo, coquinhos,
Destruíram a natureza.

As árvores grossas e copadas
Pelo homem foram cortadas,
Tudo em nome do progresso;
Suas sombras se afastaram
E cederam seu lugar
Para um bairro de sucesso.

Não vi crianças brincando
Nas gangorras de cipós,
Batendo bola ou peteca.
Não vi nenhuma menina
Fazendo cozinhadinho
Ou trocando sua boneca.

Bola de gude, queimada,
Passar anel, fazer roda,
São coisas de outra geração.
As estórias, teatrinhos,
Tudo isto foi enterrado.
Hoje é só televisão.

As casas da minha rua
Que serviam de morada
Pra dona felicidade,
Sumiram como as pessoas,
Deixando, ali no terreno,
Uma tremenda saudade.

Acho que devo parar.
Lágrimas invadem meus olhos,
Vou viver os sonhos meus;
A vida é um vai e vem,
Hoje mal amanhã bem.
Cidade, eu parto triste. Adeus.


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