Naquela esquina da rua,
Todos os dias que passo
Vejo aquele homem sentado.
Num gesto, as mãos ele estende
Implorando caridade.
Treme de frio o coitado!
Contemplando aquele homem
Sujo, descalço, barbudo,
Com roupa esfarrapada,
No coração sinto um aperto,
Dos olhos lágrimas caem
Sinto a alma esfacelada.
Será de onde ele veio?
Eu fico me perguntando.
Daqui pra onde ele vai?
Onde está sua família?
Será que não teve a graça
De ter filhos, de ser pai?!...
Por causa daquele homem
Que deveras, nem conheço,
Eu tenho a alma dorida.
Por ser Deus o pai de todos,
Aquele homem é meu irmão
E faz parte da minha vida.
Qual será minha reação
Se um dia daquela esquina
Tal homem desaparece?
Sei que triste vou ficar,
Más ao invés de chorar
Vou pedir por ele em prece.
Tenho toda confiança,
Que ele estará em segurança
Depois da minha oração.
Que a sua caminhada,
Por Deus-Pai seja guiada.
Deus, abençoe meu irmão!
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