Eu vou mandar construir
Lá no alto da colina,
Uma casa pequenina
Onde não entre ninguém.
Não terá porta ou janela,
De laje e não telhado;
Ali será aprisionado
O fantasma do meu bem.
Eu quero viver a vida,
Brincar pela noite adentro,
Governar meus sentimentos,
Ser dona do meu próprio “eu”.
Coordenar minhas idéias,
Provar para a solidão
Que, aqui, no meu coração,
A vida inda não morreu.
Vou arrancar do meu peito
Toda a dor, tanta saudade,
Viver outra realidade,
Sumir com a tal mulher triste.
E o fantasma fique quieto
Lá na casinha trancado,
Como coisa do passado
Que se foi, não mais existe.
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